O filme que pode desencadear “descolonização mental” – Artes – DN

por Lusa

O realizador João Viana filmou uma aldeia na Guiné-Bissau e agora espera que “A Batalha de Tabatô”, em exibição no festival IndieLisboa, “limpe o olhar” dos espetadores e desencadeie um processo de “descolonização mental”. Veja o vídeo.

Após ter sido distinguida com menção honrosa no Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro, a longa-metragem “A Batalha de Tabatô” chega ao público português na quarta-feira, integrada na competição do festival de cinema IndieLisboa.

O que João Viana encontrou em Tabatô, nome da tabanca (aldeia) de músicos mandingas da Guiné-Bissau para onde foi filmar, resultou numa curta e numa longa-metragem, ambas exibidas em Berlim.

A longa-metragem, que vai ser exibida no IndieLisboa, tem estreia marcada nas salas nacionais para “início de junho”, adiantou à Lusa o cineasta luso-angolano.

Os habitantes de Tabatô vão ter oportunidade de se verem no grande ecrã, porque João Viana está a planear viajar com o filme pela Guiné-Bissau, durante o mês de julho. “É terrível estar cá, estou morto por ir para lá outra vez”, confessa.

França, Bélgica e Alemanha serão outras das paragens do filme, mas João Viana faz questão de não iludir a realidade.

“Não é possível o que está a acontecer à cultura. São marcas gravíssimas que só se vão ver para o ano”, alerta, recusando que o cinema até esteja a correr bem, “apesar da crise”.

“Pensa o poder que os criadores arranjam sempre alternativas”, critica, recordando que “mais de 300 pessoas” surgem no genérico de “A Batalha de Tabatô”, porque o cinema é “uma arte coletiva” e “não é possível fazer um filme sozinho”.

O cineasta nunca tinha estado antes na Guiné-Bissau, mas resolveu ir conhecer a aldeia que gira em torno da música. A princípio, o sítio não o surpreendeu, “as tabancas pareciam todas iguais” e “não via a riqueza” da floresta, recorda, confessando que foi “preciso peneirar a realidade” e “limpar o olhar ocidental”.

Em Tabatô, deparou-se com olhares “sujos”, de parte a parte. “Foi muito bom ver o olhar perante mim, enquanto branco, mudar. Da mesma maneira que nós temos um olhar viciado para com eles — olhamos sempre de cima do cavalo, (…) estamos com o olhar sujo (…) -, eles também nos olham de baixo para cima”, compara.

Este processo de “nivelamento” de olhares “demorou alguns anos”, mas funcionou. O seu está limpo e os habitantes de Tabatô conseguiram passar a vê-lo como “um contador de histórias como eles”, descreve.

João Viana espera agora que os espetadores saiam do filme “com o olhar limpo”. “O que eu sonho é que este seja um filme de descolonização mental”, resume.

Ainda a braços com projetos sobre Tabatô (dois documentários), o cineasta já recebeu um convite para filmar na ilha da Reunião. “O cinema está muito ligado ao chão” e, por isso, admite que o seu esteja “ligado a África”.

“A Batalha de Tabatô” – falado em mandinga, uma das línguas étnicas da Guiné, na qual João Viana aprendeu apenas a dizer “abarca” (obrigado) – é exibido na quarta-feira, às 21:30, na Culturgest.

Veja aqui o trailer:

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via O filme que pode desencadear “descolonização mental” – Artes – DN.

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