Guiné-Bissau: Guineenses fazem balanço negativo um ano após golpe de Estado – Expresso das Ilhas

Carlitos Fafé vende jornais há mais de 20 anos pelas ruas de Bissau mas nunca teve um ano “tão fraco” como os 12 meses que se passaram desde o golpe de Estado de 12 de abril de 2012.

Carlitos anda de bicicleta na distribuição de sete títulos de jornais (do estatal aos privados) mas, contou à Agência Lusa, “o negócio tem sido tão fraco” que às vezes nem chega a negociar 200 jornais por dia.

“A situação do país está cada vez mais difícil. O país vai mal”, afirma Carlitos, no meio de uma tentativa de vender um dos jornais a um cidadão estrangeiro no mercado central de Bissau.

“Dantes os estrangeiros, meus clientes, por exemplo compravam-me de uma assentada 4,5,6 jornais, mas hoje alguns compram um jornal e é já muita coisa”, enfatiza, acrescentando: “Há algumas pessoas, funcionários públicos, que fazem ‘vaquinha’ para comprar um jornal, que leem à vez”.

Um ano após o golpe de Estado que depôs, a 12 de abril de 2012, o poder legítimo, Cadidjatu Baldé fala também das dificuldades que vai tendo “desde a entrada em função da transição” para vender todos os dias a banana e o amendoim pelas ruas de Bissau.

“Antes da ‘transição’ eu vendia muito. Havia muito dinheiro e tinha muitos clientes que compravam as minhas coisas rapidamente, agora não há nada. As pessoas estão sem dinheiro e nós não conseguimos vender nada”, explica à Lusa.

Cadidjatu diz que não percebe muito bem da política, mas ainda assim acha que “a transição não está a conseguir nada”.

À conversa com a jovem no largo da Baiana (centro de Bissau) junta-se o taxista Umaru Ly, que afirma: “Sendo jovem, não devia estar a conduzir um táxi, devia estar era a estudar, mas não posso, porque não há saída. O golpe de Estado veio trazer mais atraso, sobretudo para nós jovens”.

“Mas posso garantir que há aqueles que saíram a ganhar com este golpe”, defende, quando arranca para mais uma corrida, que diz ser cada vez mais “para queimar o gasóleo”.

Como jornalista, José Augusto Mendonça tem informações que lhe dão esperança no futuro desde que haja “vontade política” dos guineenses. Ainda assim, o jornalista da ANG (Agência Noticiosa da Guiné, estatal) mostra-se triste com a realidade volvidos 12 meses desde o golpe de Estado militar.

“Infelizmente, é com muita mágoa que estou a constatar as coisas. Infelizmente não estou a ver nada como sinais que indiquem que as coisas estão a evoluir pela positiva. Estamos estagnados, onde estamos, durante 12 meses que já se passaram depois do golpe”, observa José Augusto Mendonça.

“Mas, por aquilo que se está a agendar como próximos passos, acredito que as coisas poderão evoluir, mas deve ser acompanhado de muita vontade política dos atores internos do país”, acrescenta.

Quando questionado sobre em que setor se sente mais a estagnação de que fala, Mendonça aponta a situação económica do país. “É na parte económica porque isso toca muito com o dia-a-dia da população. Antes (do golpe de Estado) a Guiné-Bissau estava na cauda do desenvolvimento humano, agora com esse bloqueio não sei se já não ultrapassámos essa escala”, defende Augusto Mendonça.

Com o golpe de Estado de 12 de abril de 2012, grande parte da comunidade internacional cortou todos os apoios e cooperação com as novas autoridades que gerem o período de transição entretanto instituído.

quarta, 10 abril 2013 10:1

Escrito por  Fonte: Agência Lusa/Expresso das Ilhas

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