Angola Press – África – Recorrente instabilidade adia futuro do país – especialista

Recorrente instabilidade adia futuro do país – especialista

Lisboa – O futuro político e económico da Guiné-Bissau depende da resolução do problema nas Forças Armadas guineenses, principal foco de instabilidade no país, e de um plano estratégico com objectivos a médio e longo prazos, defendeu hoje (quarta-feira) um especialista.

“O problema central na Guiné-Bissau é e continua a ser as Forças Armadas. Eles fazem o sol e a chuva. Não dizer isto com frontalidade, é estar a iludir-nos”, afirmou à agência Lusa Eduardo Costa Dias, antropólogo e professor do Centro de Estudos Africanos do ISCTE, e um dos oradores do ciclo de conferências “Guiné-Bissau: da multidimensional encruzilhada ao bem comum guineense”, que hoje (quarta-feira) arranca em Lisboa.

Para este especialista, as Forças Armadas guineenses continuam a ser o “principal foco de instabilidade” no país. E sem essa instabilidade, defendeu Costa Dias, a transição para um Estado democrático, alicerçado no progresso económico e social, e no respeito pela ordem constitucional, não será possível na Guiné-Bissau.

“É primordial tomar medidas contundentes para resolver, de uma vez por todas, o problema que existe no seio das Forças Armadas guineenses, já que esse é um problema de fundo. Caso contrário, o futuro da Guiné-Bissau continuará adiado”, vincou.

No entender de Costa Dias, só ultrapassando os desafios de ordem política e institucional será também possível lançar as bases para o desenvolvimento socio-económico da Guiné-Bissau, ao delinear objectivos estratégicos a médio e longo prazos.

“Sem resolver antes as questões da segurança, da estabilidade política e da impunidade que parece reinar no país, dificilmente se conseguirá avançar com isso paralelamente”, afirmou.

A Guiné-Bissau vive um período de transição na sequência de um golpe de Estado em Abril de 2012 que depôs os dirigentes eleitos. A maior parte da comunidade internacional não reconhece os dirigentes de transição e cancelou todos os apoios.

Organizada pela diáspora guineense em Portugal, a primeira conferência sobre a Guiné-Bissau, que hoje (quarta-feira) tem lugar em Lisboa, vai abordar questões como a vigente ordenação política no país, os desafios da construção do Estado de direito e as recorrentes rupturas constitucionais, sem nunca perder de vista o “devir guineense”.

Em comunicado, a organização da iniciativa lembra que esse “devir guineense” tem sido “impedido e protelado por interesses geo-estratégicos e pela encruzilhada de interesses que o permeiam e impedem a afirmação do Estado de direito democrático”.

Os guineenses em Portugal pretendem discutir ainda questões como as múltiplas pertenças identitárias; o papel da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Africana (UA), União Europeia (UE) e ONU ou a questão do narcotráfico.

Outros temas a debater são, segundo a organização, os grandes planos de investimento e as suas repercussões económicas, sociais e financeiras na sub-região ou a exploração dos recursos naturais.

via Angola Press – África – Recorrente instabilidade adia futuro do país – especialista.

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