Sai Ialá, entra Nambeia: mudanças no futuro do PRS | Guiné-Bissau | DW.DE | 18.12.2012

GUINÉ-BISSAU

Sai Ialá, entra Nambeia: mudanças no futuro do PRS

Alberto Nambeia é o novo presidente do Partido da Renovação Social, o segundo maior partido do país. Ocupa o lugar deixado por Kumba Ialá, que desistiu de concorrer ao cargo que ocupou desde a criação do PRS.

É uma nova configuração política na Guiné-Bissau. Os dois políticos fazem parte da formação que fundou o partido em janeiro de 1992. A este respeito conversamos  com Fafali Koudawo, reitor da Universidade de Colinas de Boé, na Guiné-Bissau.

DW África: Quais as razões que levaram Kumba Ialá a abrir mão da liderança do PRS?

Fafali Koudawo (FK): Ele tomou esta decisão para escapar a uma onda de contestação que há no seu partido. Esta onda vem das camadas mais jovens e também de uma parte da velha guarda. No entanto, ele continua a ser uma pessoa carismática e a referência máxima do partido.

Na foto, o então candidato do PRS, Kumba Ialá, após perder as eleições presidenciais em 2009 para Malam Bacai Sanhá

DW África: Quais teriam sido as razões que levaram esta parte da velha guarda e esses jovens partidários a crer que o tempo de Kumba Ialá teria se esgotado?

FK: As sucessivas derrotas do partido em várias eleições presidenciais e legislativas. É claro que Kumba Ialá não consegue mobilizar suficientemente, além do seu eleitorado tradicional. É a procura deste alargamento da influência do partido, para poder criar novos caminhos estratégicos.

DW África: Kumba Ialá se despediu das “disputas de mandatos e cargos poiticos partidários”. A partir desta declaração pode-se ter uma idéia do que ele pretende?

FK: Ele afastou-se da liderança partidária para se preservar melhor para o próximo embate presidencial. Diz-se que foi uma das condições do seu afastamento voluntário.

Segundo o analista ouvido pela DW África, Kuma Ialá terá abandonado a liderança do PRS para se “preservar” para as eleições presidenciais

DW África: Esta possibilidade é real?

FK: Sim, esta possibilidade é real. Se o partido não encontrar uma outra pessoa carismática, Kumba Ialá tem ainda todas as chances de ser candidato. Ser eleito é uma outra coisa. Aliás, o partido precisa dele. É por isso que o seu afastamento é simbólico e isto é uma vantagem para ele, porque fica um pouco preservado nos embates.

DW África: Para a presidência do PRS foi eleito Alberto Nambeia e, com ele, um novo secretário-geral, que agora é Florentino Teixeira. Como avalia a mudança?

FK: São pessoas com outra capacidade de diálogo, que chegam à testa do partido. É uma capacidade de abertura social maior, em relação à última liderança. Isto pode dar ao partido mais margem de manobra estratégica.

DW África: O que esperar desta mudança na direção do segundo maior partido do país?

FK: É uma tentativa de se abrir a novos parceiros e tentar atrair uma nova clientela política. A nova direção não tem este cunho carismático, mas trata-se de desconcentrar este poder e envolver mais atores. E, neste domínio, as mulheres sempre foram uma base eleitoral enorme na Guiné.

Autora: Cristiane Vieira Teixeira

Edição: Maria João Pinto/ António Rocha

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