Ação Cidadã: “Mulheres: liberdades conquistadas, liberdades perdidas?”

Ação Cidadã: “Mulheres: liberdades conquistadas, liberdades perdidas?”.

“Mulheres: liberdades conquistadas, liberdades perdidas?”

Edição Nº16 Programa Radiofônico “Cidadania Ativa”

«Falar da participação feminina na cidadania ativa pode parecer uma mera farsa num pais como a Guiné-Bissau, onde desde os tempos da resistência à conquista colonial, e durante toda a luta armada de libertação, a mulher, ao insurgir-se, ao lado do homem, demostrou uma evidente e reconhecida capacidade em implicar-se de maneira ativa nas ações em prol da preservação ou restauração da liberdade do povo guineense. Quem não ouviu falar da Rainha Pampa bijagó que nos princípios do século XX travou uma luta sem tréguas contra a penetração portuguesa? E mais recentemente, quem não conhece ou não ouviu a história das mulheres, responsáveis da saúde ou da educação, responsáveis politicas, comandantes militares ou ainda governantes de largas regiões das zonas libertadas, durante os anos 60 e o princípio da década 70? (…). Todavia, hoje, constata-se uma evidente estagnação e mesmo um recuo da Guiné-Bissau, tanto no que concerne a participação da mulher nos órgãos de decisão, seja em quantidade ou em qualidade, que se trate do Estado, das empresas, ou ainda das organizações da sociedade civil; como no que toca a partilha do poder e das obrigações no seio do casal e da família. Apesar dos esforços de escolarização e de formação das raparigas ao longo destes anos de independência, apesar dos esforços visando a proteção jurídica da mãe e da criança, o número hoje das mulheres que tomam parte nestes órgãos é irrisório e o desempenho por elas de funções de chefia, uma exceção.» (Handem[1]:2012).

Nesta edição nº 16 de Cidadania Ativa propusemo-nos refletir sobre as perceções das nossas convidadas e do cidadão comum a volta de conquistas das mulheres guineenses. Em primeiro lugar, quando se fala de conquistas das mulheres da e na Guiné-Bissau, está-se a falar de que conquistas? Da sua épica participação na luta de libertação nacional? E como se explica então a dificuldade das mulheres e dos homens, das jovens e dos jovens, até das crianças em conhecer e reconhecer as heroínas nacionais como conhecem e reconhecem os heróis nacionais? Por que se desconhece a heroica história da Rainha Pampa (confinada a uma homenagem patética duma marca de cerveja)? No fundo, pretende-se refletir sobre o que estará por detrás das referidas conquistas; como foram feitas e para que fins?

No campo oposto, tem-se avolumado sensações de perdas de liberdades e autonomias, valores e protagonismos outrora heroicamente conquistados. Nesse sentido, pretende refletir no que terá acontecido e no que estará a acontecer. Ou seja, se possível, tentar identificar não só o momento de viragem mas, sobretudo, o que pode explicar as eventuais perdas. O que terá acontecido para que se fique com a sensação de que as valentes combatentes, simplesmente, baixaram a guarda? Falando em sensações, após os anos da luta e da gloriosa conquista de liberdades, fica-se com a sensação de que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ”. Ou seja, os primeiros e os anos seguintes da República, trouxeram interesses, motivações e desafios diferentes, o que pode significar não propriamente perda de liberdades por parte das mulheres mas sim mudança de interesses e até de paradigmas. Nesse sentido, tendo em conta as diferenças em termos de tipos e ideias de luta, será justo comparar as motivações das mulheres de outrora com as motivações das mulheres da Guiné-Bissau Independente? Que tipo de desafios, a mulher guineense, se enfrentou (primeiros anos de Independência) e se enfrenta hoje em dia? A diferença geracional tem alguma influência nesta mudança de paradigma? Se sim, que influências são essas?

Por último, tendo em conta a conjuntura atual (mundial, continental, regional e nacional) e partindo do princípio que a mulher guineense nascida após a Independência é, também, fruto de seu tempo, o que a pode inspirar? Que tipo de valores e ideias serão os seus? Para que causa estará disposta a lutar?

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