Bissau abre 1ª biblioteca pública com 13 mil livros recolhidos em Portugal | Lusofonia | Diário Digital

A primeira biblioteca pública de Bissau vai nascer nas próximas três semanas pela mão de cinco voluntários da organização “Afectos com Letras” que “na bagagem” levam 13 mil livros recolhidos em Portugal, anunciou a instituição.

O projeto nasceu em dezembro quando, durante uma missão na Guiné-Bissau, a associação recebeu o desafio do ministro guineense da Educação: “Convidou-nos a fazer uma biblioteca na cidade de Bissau, porque não há nenhuma biblioteca pública”, contou à Lusa a presidente da associação sediada em Pombal.

Joana Benzinho explicou que a organização lançou então uma campanha de recolha de livros – que contou com o apoio da biblioteca municipal de Pombal, da rede de bibliotecas escolares e de câmaras e bibliotecas do país – e entre 25 de março e 25 de junho foram recolhidos 13 mil livros.

“Foram todos catalogados pelos técnicos da rede de bibliotecas de Pombal” e estão agora a chegar a Bissau, num contentor que leva ainda estantes e 10 computadores oferecidos pela empresa JP Sá Couto, contou a responsável.

Na próxima segunda-feira, cinco voluntários da associação chegam a Bissau e, ao longo das próximas três semanas, contam montar a biblioteca nas instalações cedidas pelo Instituto Politécnico Benhoblô e deixá-la a funcionar até ao fim do mês.

Entre os livros enviados vão “muitos livros infantis, muita literatura portuguesa, romances estrangeiros e enciclopédias”, assim como alguns livros em francês, “dado o contexto regional da Guiné-Bissau, rodeada por países francófonos”.

Muitos são livros novos, oferecidos por editoras que se associaram à “Afectos com Letras”, mas também há livros em segunda mão, dados por particulares e sujeitos a uma triagem: “Queremos fazer uma biblioteca em condições, não um depósito de livros antigos e em mau estado”, sublinhou Joana Benzinho.

A biblioteca ficará a cargo de um funcionário, que receberá apoio e formação contínua por videoconferência a partir da Biblioteca Municipal de Pombal.

Em dezembro, a associação conta levar a Bissau técnicos da biblioteca de Pombal para dar formação, de forma a dinamizar a biblioteca guineense com atividades como a hora do conto ou o cantinho da criança, e até lá vai continuar a recolher livros em Portugal.

“É um projeto que não se esgota com a abertura da biblioteca. Queremos continuar a alimentá-la com livros e a dar qualidade ao espaço”, disse Joana Benzinho.

Para quem queira contribuir com livros, basta entregá-los na sede da organização, em Pombal, ou na Biblioteca Municipal da cidade.

Criada em setembro de 2009, a Afectos com Letras, Associação para o Desenvolvimento pela Formação, Saúde e Educação tem como missão a melhoria das condições de vida das crianças da Guiné-Bissau.

A Biblioteca Pública resulta de uma parceria da “Afectos com Letras” com a Rede de Bibliotecas de Pombal, as Bibliotecas Escolares e o Instituto Politécnico Benhoblô, em Bissau.

Diário Digital / Lusa

via Bissau abre 1ª biblioteca pública com 13 mil livros recolhidos em Portugal | Lusofonia | Diário Digital.

3 comments

  1. Acho louvável abrir uma biblioteca pública em Bissau. Mas é deplorável anunciar-se que é a primeira ( só se for a primeira com esse número tão exacto (13000) recolhidos em Portugal). Isso dito assim, é de uma arrogância infinita, e de um desprezo total por tudo quanto foi feito na Guiné-Bissau e em Bissau ao longo da história ( incluindo os anos ante e pos independência) é desconsiderar pessoas e instituições nacionais e estrangeiras, Se querem protagonismo façam as coisas de outro modo (inovem mesmo). Como estamos a escrever num espaço com responsabilidades académicas haja decoro, é o mínimo….

  2. A primeira biblioteca pública de Bissau já existe desde a independência da Guiné-Bissau no INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa. Ficou muito maltratada na guerra civil de 1988 uma vez que o exército do Senegal albergou no Instituto o seu quartel-geral – um crime que ficou impune. Pena é que uma ong portuguesa não tenha levado em consideração uma instituição que continuou a albergar o Boletim Cultural da Guiné e continua a reunir os investigadores guineenses mais conceituados. Pena é…

  3. É isto mesmo, esta mania que se tem de valorizar desvalorizando é um péssima característica das iniciativas portuguesas. Por outro lado, e se bem pensarmos, este tipo de promoção desvaloriza o antigo colonizador, que deveria envergonhar-se de não ter, em tempos idos, inaugurado a primeira biblioteca da antiga colônia, este sim, se tivesse acontecido, um grande feito digno de valorização.

Deixe aqui o seu comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s