CEDEAO tem de ser mais inclusiva e dialogar com parceiros – PM deposto (C/ÁUDIO E C/VÍDEO) – Notícias – Sapo Notícias

Cidade da Praia, 30 jul (Lusa) – O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou hoje que a CEDEAO tem de ser “mais inclusiva” e dialogar com os parceiros guineenses e criticou a “teimosia” da organização em querer pilotar o processo sozinha.

Falando aos jornalistas no final da abertura da reunião do Comité África da Internacional Socialista (IS), que decorre durante dois dias na Cidade da Praia, Gomes Júnior reiterou a necessidade de se realizar, tal como definiu na sexta-feira o Conselho de Segurança da ONU, um encontro de alto nível com todos os parceiros guineenses.

“As divergências são sempre normais. A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) está a pilotar o processo na Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 12 de abril. Mas tem de ser mais inclusiva e promover o diálogo com os outros parceiros da Guiné-Bissau, como a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), UA (União Africana) e ONU”, defendeu.

Presente na reunião do Comité África da IS na qualidade de presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Gomes Júnior, afastado do poder num golpe de Estado militar a 12 de abril, reiterou que continua a ser o chefe do executivo guineense e mostrou-se convicto de que voltará a ocupar o lugar.

“Retomar o cargo não. Sou o primeiro-ministro legalmente eleito na Guiné-Bissau. Sou o primeiro-ministro «de facto». O atual é ilegal e o presidente interino é ilegal porque a Guiné-Bissau é um Estado de Direito e tem uma Constituição”, sustentou.

Recorrendo ao passado, Carlos Gomes Júnior renovou também as críticas à CEDEAO e à forma como a organização sub-regional geriu todo o processo durante e depois do golpe de Estado.

“Não podemos permitir que um simples vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria vá à Guiné-Bissau indigitar um presidente de transição. Isso é uma falta de respeito para com a Guiné-Bissau e para África”, frisou.

“Agradecemos as posições firmes de Cabo Verde, de Portugal, da CPLP e da UA por todo o apoio que têm estado a dar para a reposição da ordem constitucional. A ONU já aprovou uma resolução que determina a reposição imediata da ordem constitucional. Porquê essa teimosia da CEDEAO em querer pilotar sozinha o problema na Guiné-Bissau”, questionou.

Questionado sobre se há interesses por detrás da CEDEAO, Gomes Júnior não os apontou, limitando-se a afirmar que a “teimosia” vem de “alguns países” da organização, aludindo à Nigéria, Costa do Marfim e Senegal.

Sobre se achou “estranho”, o presidente do Comité África da IS, na intervenção na sessão de abertura da reunião, ter falado de conflitos políticos e militares no Mali, Nigéria e Níger e não ter feito qualquer referência à situação na Guiné-Bissau, Gomes Júnior salientou ser esse “um problema” do líder socialista senegalês, Ousmane Tanor Dieng.

“É um problema dele. Ou é um lapso. Mas sentimo-nos encorajados pela posição já assumida pelo presidente do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde – José Maria Neves) e de Luis Ayala (presidente da IS. Isso demonstra que a família da IS está unida em torno da Guiné-Bissau e Tanor Dieng terá de acompanhar o que a família disser”, respondeu.

Sobre as acusações feitas pelo Governo de Transição guineense de ser mandante do alegado assassínio de Roberto Cacheu, antigo ministro e deputado do PAIGC, Gomes Júnior disse nada ter a ver com o assunto e que os acusadores apresentem provas.

“A Guiné-Bissau é um Estado de Direito, temos instâncias próprias, que são o Ministério Público e o Ministério da Justiça, para inquirir. O Governo de Transição não me diz nada, é uma meia dúzia de oportunistas que assaltaram o poder e eu, como primeiro-ministro legítimo e como presidente do PAIGC aguardo com serenidade. Que apresentem provas”, concluiu.

JSD.

Lusa/Fim

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