PÁGINA GLOBAL: Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau “disponível para continuar a trabalhar”

Lisboa, 05 ago (Lusa) – O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau reafirmou hoje estar “disponível para continuar a trabalhar” pelo país, adiantando lamentar que o trabalho já feito para o seu desenvolvimento possa ser inutilizado pela situação decorrente do golpe de Estado de 12 de abril.

“Eu estou disponível para continuar a trabalhar pelo meu país, parado é que … A vida está parada, o governo em exercício não tem poderes legais para fazer a governação (…) eu teria muita pena que se fossem degradando todos os passos que nós já demos para o desenvolvimento do nosso país”, declarou Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à margem de um encontro da comunidade guineense em Lisboa.

O também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais indicou que regressará à Guiné-Bissau se existirem condições de segurança.

“Estamos a aguardar a reunião de alto nível a ser organizada pelas Nações Unidas (a 14 de setembro). Se for decidido e entendido que deve ir uma força multinacional para a Guiné naturalmente que estão criadas condições de segurança necessárias para isso (regressar ao país)”, disse.

Carlos Gomes Júnior repetiu que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) “não tem condições, nem financeiras, nem tem capacidade” para conduzir sozinha o processo de transição e criticou a possibilidade de se realizarem “eleições presidenciais de raiz”.

“Quem é que vai financiar uma eleição de raiz? (…) existe uma crise financeira que toda a gente conhece. (…) O financiamento de eleições de raiz vai ser muito complicado, o que quer dizer que vai prolongar esse período de transição, o que não serve ao povo da Guiné-Bissau, não serve à nossa economia”, disse, considerando que se “impõe que sejam mobilizados recursos e meios para a conclusão do processo eleitoral”.

A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as atuais autoridades de transição na Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior interveio no encontro promovido pelo FDDD – Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau e quando subiu ao palco foi recebido aos gritos de “Cadongo amigo o povo está contigo”.

As cerca de duas centenas de pessoas presentes ouviram o primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau declarar-se “muito sensibilizado com as manifestações de solidariedade” que tem tido desde o golpe de Estado e também recordar o trabalho que desenvolveu à frente do governo.

Segundo Carlos Gomes Júnior, fez-se uma “governação de rigor”, apostou-se nos cuidados básicos de saúde e conseguiu-se “uma taxa de crescimento de cinco por cento”.

Não faltaram as críticas à CEDEAO, que “não tem nenhuma exclusividade” para resolver os problemas na Guiné-Bissau.

“Vai haver eleição e vou ser presidente guineense”, declarou sob aplausos, num discurso que acabou com vivas à Guiné-Bissau e ao povo guineense.

Além do primeiro-ministro, esteve também no encontro o presidente interino afastado, Raimundo Pereira, um dos signatários como Carlos Gomes Júnior de uma carta aberta dirigida à CEDEAO e preparada pelo FDDD.

O texto, resumido para os participantes no encontro, critica a mudança de posição da CEDEAO, que no início criticou o golpe de Estado, e apela aos cidadãos da África Ocidental para “denunciarem os atropelos” na Guiné-Bissau.

Presente esteve também o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló, que recebeu instruções das autoridades de transição em Bissau para abandonar o cargo.

Aquelas autoridades comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e na União Europeia por três novos encarregados de negócios.

“É um ‘bluff'”, considerou hoje Carlos Gomes Júnior, referindo que as autoridades de transição não têm poder para destituir ou nomear embaixadores.

“O governo legítimo neste momento, eu sou o chefe do governo legítimo da Guiné-Bissau e qualquer embaixador para ser nomeado tem de ser por um decreto presidencial. Portanto, esse presidente de transição não tem poderes constitucionais para isso, é o chamado limite constitucional, ele não tem esses poderes, nem para nomear, nem para exonerar”, disse.

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