Guiné-Bissau: PM diz que “cumplicidade” da CEDEAO pode fazer do país “Estado falhado”

07.07.2012. O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou hoje, em Paris, que a situação no país “tende a degradar-se”, considerando que a “cumplicidade” da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) poderá fazer daquele país um “Estado falhado”.

“Com a cumplicidade da CEDEAO, a Guiné-Bissau poderá ser um Estado falhado. Porque a CEDEAO sozinha não pode resolver o problema” do país, defendeu Carlos Gomes Júnior, no final de um encontro organizado pelo Coletivo de Cidadãos, Apoiantes e Amigos da Guiné-Bissau, criado na capital francesa para apoiar o poder deposto, depois do golpe de Estado de 12 de abril.

O primeiro-ministro deposto considera que “a CEDEAO tem que juntar-se com todos os outros parceiros, nomeadamente a União Africana, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e, sob supervisão das Nações Unidas (ONU), tentar que sejam ultrapassados rapidamente os obstáculos que estão à vista de todos”.

“A CEDEAO deve tentar conhecer os problemas antes de tentar resolvê-los de maneira precipitada, e da forma parcial como tem feito. Existe um Governo legítimo. Não pode, de maneira nenhuma, um vice-ministro da Nigéria dar posse ao Presidente da República da Guiné-Bissau. Isto é uma vergonha para África, e a CEDEAO tem que retificar imediatamente todo esse comportamento”, acrescentou.

Carlos Gomes Júnior afirmou ainda que regressará à Guiné-Bissau logo “que a comunidade internacional reúna as condições de segurança necessárias”.

Sobre a possibilidade de participar na cimeira dos países da CPLP, em julho, o primeiro-ministro deposto considerou que estaria seu direito, mas afirmou que aguarda “a evolução das coisas”. O seu Governo, disse, quer “ajudar a resolver os problemas”, não “ser um obstáculo”.

O líder sublinhou ainda que a situação do país “tende a degradar-se”, uma vez que, para que possa executar o seu Orçamento Geral do Estado, a Guiné “necessita do apoio de todos os parceiros para o desenvolvimento”.

Carlos Gomes Júnior viajou acompanhado do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mamadu Djaló Pires, e também do secretário executivo da Frenagolpe (Frente Nacional Anti golpe, plataforma que junta partidos e organizações sociais que condenam o golpe de Estado), Iancuba Indjai.

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