Guiné-Bissau: ONG’s temem agravamento do conflito | Esquerda

10 JULHO, 2012. Cinco ONG’s guineenses alertam o mundo para a “derrapagem irreversível” do conflito, o agravamento da segurança e a deterioração do acesso da população aos bens e serviços básicos, que faz aumentar o risco de fome no país.

“Volvidos trinta dias do exercício de governação em regime de transição, constatou-se que o país tem sido encaminhado para uma situação de agravamento da segurança e na deterioração das precárias condições de acesso aos serviços e bens básicos para a garantia das necessidades”, diz o comunicado subscrito pelas ONG’s Ação para o Desenvolvimento, Associação Guineense de Estudos e Alternativas, Confederação Camponesa KAFO, Liga Guineense dos Direitos Humanos e TINIGUENA – Esta Terra é Nossa.

As associações responsabilizam as autoridades de transição pelos riscos de conflito social, “caso os militares não regressem de facto para os quartéis, caso a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em vez de proteger os civis prefira ameaçar a soberania, caso a principal missão do governo transitório não seja cumprida, ou seja, a realização de eleições livres, democráticas e justas”.

No documento surgem críticas à ação dos militares que protagonizaram o golpe de 12 de abril mas também à dos militares da CEDEAO que intervêm em Bissau a favor do governo golpista contra a reposição da legalidade constitucional. As ONG’s acusam as tropas estrangeiras de terem entrado no parlamento, “fortemente armados e com carros de combate” enquanto decorria uma sessão parlamentar. “Esta atitude denuncia de uma forma inequívoca o caracter ocupacionista e da tentativa de implantação de um clima de medo no debate público dos problemas nacionais”.

O comunicado conjunto fala ainda das ameaças ao direito de manifestação e em particular à liberdade de expressão das personalidades que condenaram o golpe e lamenta não terem sido dados passos para a realização de eleições livres, ao contrário do prometido. E denunciam ainda que está em curso uma “desenfreada corrida e partidarização da administração pública”, a “utilização indevida do erário público e ausência de fiscalização dos recursos naturais”, bem como os efeitos negativos desta situação de instabilidade para a frágil economia guineense

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