“Canta Pó”, a última festa antes da circuncisão (C/VÍDEO) – Notícias – Sapo Notícias

*** Serviço vídeo disponível em http://www.lusa.pt ***

Fernando Peixeiro, da Agência Lusa

Bissau, 20 jun (Lusa) – N´Tchangue, uma localidade entre Nhacra e Mansoa, leste da Guiné-Bissau, viveu quatro dias de lutas e danças, o prelúdio para a cerimónia da circuncisão carregado de simbolismo, onde vencedores podem sair vencidos.

A cerimónia, “Canta Pó”, realiza-se um ano antes de outra, essa mais secreta, que é a circuncisão. Mas dentro da etnia balanta, uma das principais da Guiné-Bissau, o “Canta Pó” é também visto por alguns como algo cheio de mistério e feitiçaria até.

“Há feitiçaria e até se pode perder a vida. Quem ganha nem sempre tem uma vida longa”, explica à Lusa, na tabanca de N´Tchangue, Quinto Naman, balanta e apreciador da cerimónia, na qual, explica, há uma competição e por isso pode haver quem queira depois fazer mal aos que ganham.

Embora sinónimo de solidariedade e de confraternização, o “Canta Pó” junta centenas de pessoas que assistem a luta livre entre os mais jovens, a primeira competição, e a grupos que tocam e cantam, a segunda competição.

Atualmente “quase a desaparecer na sociedade guineense”, segundo Quinto Naman, o “Canta Pó” tem esses dois momentos importantes. Os dias em que dura começam com dezenas de competidores a desfilar num vasto quadrado delimitado pelos espetadores. A luta é feita depois, dois a dois, em qualquer sítio do campo, no meio de muito pó mas sem juízes ou árbitros. Ganha o que consegue derrubar o outro e as costas ficam a tocar o solo.

No calor e humidade sufocantes dos dias que antecedem as chuvas é a terra do chão que seca as mãos que agarram os corpos, é a poeira do chão que serve de colchão aos que caem, é nos socalcos do chão que já foi semeado que sentam os espetadores.

Até chegarem os grupos em competição, que cantam e dançam. Este ano três. Não passa na verdade de um líder e dois ou três ajudantes, que cantam e que dançam. Ganha aquele grupo que conseguir ter mais gente a segui-lo.

Os grupos não se misturam, mas por vezes aproximam-se para medir forças. E quando o líder de um deles se lembra e começa a correr são centenas de pessoas que correm com ele, enchendo os campos de N´Tchangue de longas filas de gente de roupas coloridas, homens e mulheres, crianças também.

“Canta Pó não significa nada, é uma brincadeira que fazemos numa tabanca (pequena localidade) como esta, uma brincadeira que junta jovens que podem fazer a circuncisão no próximo ano”, explica António Biague, natural da tabanca de N´Tchangue, que este ano organizou “a festa grande”, como grande vai ser também a festa para o ano.

Biague é um “homem grande”, alguém que pela sua experiência e idade é profundamente respeitado pelos mais jovens. São os homens e as mulheres “grandes” quem organiza o “Canta Pó”. Aos mais novos cabe-lhes respeitar a tradição e vestir-se (nalguns casos praticamente despir-se) de acordo: panos coloridos e tudo o que possa servir de adorno.

Se os lutadores usam por norma uma peça ou duas de roupa interior, panos a proteger os joelhos e colares e ornamentos idênticos na cintura, os responsáveis dos grupos que cantam e dançam não se poupam a esforços: correntes à volta do pescoço, pedaços de pneus na cintura, bonecos nas costas, uma infinidade de pulseiras nos braços (de corda, borracha ou metal) e outros tantos adornos na cintura, que vão da corda ao aço. Búzios e conchas, pequenos sacos, carapaças de tartaruga e até latas de conserva ou de leite em pó, furadas, servem de adorno.

Mas não cantam o leite nem sequer o pó que levantam quando lutam ou quando correm campos fora, com uma multidão a segui-los. “Pó” em crioulo quer dizer “pau”. O pau é um objeto sagrado, que os tais “homens grandes” vão em segredo buscar à mata e que andará por ali nos dias de festa, sem que ninguém saiba onde.

E o pau, um simples e sagrado pedaço de madeira, voltará depois para o sossego das matas. Como, quando ou quem o escolhe “é segredo dos homens grandes”, diz Biagui.

Ficam quatro dias de festa, de sábado a esta terça-feira, fica o pó, o calor, a luta livre, a dança, os cantares, os adornos, a tradição. E fica “outra festa grande”, a circuncisão, dentro de um ano.

FP.

Lusa/Fim

via “Canta Pó”, a última festa antes da circuncisão (C/VÍDEO) – Notícias – Sapo Notícias.

One comment

  1. QUE POUCA VERGONHA HAVER ORGÃOS INTERNACIONAIS, DE CARIZ REGIONAL QUE APOIAM GOLPES DE eSTADO, ISTO É INADMISSIVEL QUE A CEDEAOV ESTEJA A APADRINHAR UM GOVERNO QUE PÔS DE LADO O PARTIDO MAIORITÁRIO, IST É INADMISSIVEL, COMO É POSSIVEL UMA COISA DEST diz:

    QUE POUCA VERGONHA HAVER ORGÃOS INTERNACIONAIS, DE CARIZ REGIONAL QUE APOIAM GOLPES DE ESTADO, ISTO É INADMISSIVEL QUE A CEDEAO ESTEJA A APADRINHAR UM GOVERNO QUE PÔS DE LADO O PARTIDO MAIORITÁRIO, ISTO É INADMISSIVEL, COMO É POSSIVEL UMA COISA DESTAS, SÓ PARA ATRAZAR O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS, NÃO ACREDITO QUE ISTO POSSA PROSSEGUI POIS ESTES IMBECIS TÊM QUE SER CASTIGADOS, DEIXEM DE CRITICAR PORTUGAL POIS PORTUGAL JÁ TEVE UM REGIME IGUAL AO VOSSO DE TRANSIÇÃO QUE FOI DIRIGIDO POR SALAZAR E CONTINUADO POR MARCELO CAETANO HOJE POPRTUJGAL É UM PAÍS DEMOCRÁTICO RECONHECIDO POR TODO O MUNDO

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