PAIGC diz que não legitima golpes de Estado nem negoceia com militares

Bissau, 02 mai (Lusa) – O PAIGC, maior partido na Guiné-Bissau, disse hoje estar fora de questão legitimar golpes de Estado ou negociar com o Comando Militar que tomou o poder no país a 12 de abril.

O esclarecimento surgiu hoje numa conferência de imprensa de Fernando Mendonça, secretário para a informação e comunicação do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), que reiterou que o partido exige a libertação “sem condições” dos que foram detidos na sequência do golpe, o retorno à ordem constitucional e a realização da segunda volta das eleições presidenciais.

Na terça-feira, o porta-voz do Comando Militar que tomou o poder disse que haveria uma reunião com o PAIGC, mas segundo Fernando Mendonça o partido foi convidado para uma reunião com o bispo de Bissau “e deu conta de que também o Comando foi convidado”.

Numa conferência de imprensa que foi também um pequeno comício, Fernando Mendonça explicou aos militantes a evolução dos acontecimentos no país e frisou que o PAIGC não foi a Banjul (Gâmbia) no passado fim de semana para negociar nada, mas sim em resposta a um convite da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).

O responsável instou o Comando Militar a dizer aos guineenses o que na verdade quer e considerou “inaceitável” que o país esteja parado desde o dia 12.

E disse que se a CEDEAO quer o regresso de Raimundo Pereira ao cargo de Presidente interino é assim que tem de ser, “porque não é a tropa quem decide quem é que vem”.

Na sede do PAIGC falou também Iancuba Injai, secretário executivo permanente da FRENAGOLPE (Frente Nacional Anti Golpe, que junta partidos e associações), que também voltou a exigir o retorno à ordem constitucional e o regresso de Raimundo Pereira ao poder e a reposição “de todos os órgãos do Estado que funcionavam no dia 12” de abril.

O responsável acusou o Comando Militar de “em alguns setores” do país ter promovido a substituição de titulares de cargos públicos.

Ao contrário do que disse o porta-voz do Comando, Daba Na Walna, “a situação não está normal” no país, disse Iancuba Injai, explicando que um país não pode estar normal se o Presidente e o primeiro-ministro estão fora e se não há Governo.

“Pedimos aos irmãos do outro lado (militares) para que sejam razoáveis, no interesse da Guiné-Bissau. Razoabilidade para nós é o Comando Militar deixar de se meter nos assuntos políticos e que tornem nulos todos os comunicados” que fizeram, disse.

Iancuba Injai garantiu que em breve o povo guineense vai começar a sentir as sanções impostas pela CEDEAO e deixou outro apelo ainda aos militares: “pensem nas mulheres e nas crianças, o país está há muito tempo paralisado, pedimos que deixem o povo da Guiné-Bissau viver na normalidade”.

FP.

Lusa/Fim

via PAIGC diz que não legitima golpes de Estado nem negoceia com militares – Notícias – Sapo Notícias.

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