Situação Tensa na Guiné-Bissau Depois do Falhanço das Negociações de Banjul | GBISSAU.com

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Situação Tensa na Guiné-Bissau Depois do Falhanço das Negociações de Banjul

As negociações que tiverem lugar durante o passado fim-de-semana na cidade de Banjul em Gâmbia resultaram num fracasso, admitem alguns elementos que compuseram as delegações da Guiné-Bissau.

Pelo Editor, GBissau.com

Fernando "Nando" Vaz, porta-voz do fórum dos partidos políticos guineenses

Nas palavras do porta-voz do fórum dos partidos políticos guineenses, Fernando “Nando” Vaz, as razões dos falhanços devem-se não só à falta do consenso quanto à recondução de Raimundo Pereira ao cargo do presidente Interino, mas sobretudo à atitude de “imposição, confrontação e de insultos” por parte do Presidente gambiano, Yahya Abdul-Azziz Jemus Junkung Jammeh.

Numa entrevista telefónica a partir de Bissau, Fernando Vaz diz que o presidente gambiano “tratou-nos de crianças, utilizando técnicas infantis” durante os encontros separados com o Comando Militar, a delegação do PAIGC (ala de Carlos Gomes Jr.) e com o Fórum dos partidos políticos.
Em cada encontro separado mantido, “Yahya Jammeh começa por dizer que as outras partes já concordaram com todas as propostas”, numa clara deturpação da realidade, indica o porta-voz. Pior ainda: Yahya Jammeh terá afirmado durante um desses encontros de que “se os políticos guineenses e os militares não se entendessem, a Guiné-Bissau seria confrontada com uma guerra com consequências imprevisíveis.” Os representantes, na sua maioria, admitem ter sido apanhados de surpresa pelas declarações bombásticas de Sr. Jammeh.

Presidente gambiano, Yahya Abdul-Azziz Jemus Junkung Jammeh.

Mesmo assim, muitas conversações tiveram lugar nas quais foram apresentadas sete propostas pelo Grupo de Contacto da CEDEAO:

  1. Restituição da Ordem Constitucional
  2. Recondução do Presidente Interino Raimundo Pereira
  3. Escolha de um primeiro-ministro de consenso
  4. Formação de um governo (Comando Militar indigitaria elementos para ocupar as pastas da Defesa e do Ministro do Interior)
  5. Tanto o Presidente Interino com o primeiro-ministro não poderiam ser candidatos nas próximas eleições
  6. Constituição da ANP que manteria as suas características anteriores ao Golpe de Estado, mas com a condição do seu mandato acabar em Novembro deste ano para depois ser prorrogado até às próximas eleições
  7. Estacionamento das forças da CEDEAO

Dentre estas propostas, houve acordos em todos os pontos com a excepção do ponto número dois da agenda, ou seja, a recondução do Presidente Interino Raimundo Pereira.

A razão do impasse tem a ver com os diferendos entre as alas de Carlos Gomes Jr. e de Serifo Nhamadjo, apontou o porta-voz do fórum dos partidos políticos guineenses. Aparentemente, “para que Carlos Gomes Jr. avance a sua candidatura à presidência da República dentro de um ano, a ala dele não defende uma outra posição senão a recondução de Raimundo Pereira ao cargo do Presidente Interino,” esclareceu Fernando Vaz.

Entretanto, nos bastidores políticos da Guiné-Bissau, aumentam as especulações sobre o braço-de-ferro no seio do partido PAIGC. No ponto de vista de um membro do PAIGC que nos falou em condição de anonimato, “há um esquema que se montou para afastar Serifo Nhamadjo da Presidência, um esquema que agora conta com os esforços de Cabo Verde e de Angola”.

Aparentemente, muitos representantes políticos não gostaram da posição cabo-verdiana na reunião de Banjul. Isto numa altura em que se fala do estacionamento de aviões e de um navio de Guerra angolano no território de Cabo Verde, cujos objectivos era de transportar as tropas angolanas de volta para o seu país. Mas, “Angola está a tentar ganhar tempo, sem se aperceber das suas intenções reais,” frisou a mesma fonte. Dita doutra forma, a MISSANG continua estacionada na Guiné-Bissau.

E para tornar o ambiente mais tenso, existem neste momento grandes movimentações militares a sul da Guiné-Bissau. Os militares guineenses estão num estado de alerta porque dizem “houver fortes indícios de uma tentativa de infiltração a partir do território da Guiné-Conacri.”

CEDEAO

Paralelamente, a CEDEAO vai tentando fechar o círculo ao Comando Militar, tendo anunciado sanções contra as chefias militares guineenses. Mas, no ponto de vista de Fernando Vaz, O Grupo de Contacto Regional que esteve reunido em Banjul “não tinha competências para tal e, havendo sanções, elas terão que ser aprovadas pela presidência da CEDEAO”.

Recorde-se de que o Grupo de Contacto Regional e de Acompanhamento é presidido pela Nigéria e com as participações de Benim, Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Conacri, Senegal e de Togo. Este grupo é encarregue de coordenar e acompanhar a implementação das decisões saídas da Cimeira de Abidjan.

DOM JOSÉ CÂMNATÉ NA BISSIGN, Bispo da Diocese de Bissau

Entretanto, hoje, terça-feira, decorrem vários encontros em Bissau entre as partes envolvidas sob à mediação de Bispo de Bissau, Dom José Camnaté Na Bissign, assim como de representantes da religião muçulmana. Apesar de um aparente “Pânico político-militar”, um certo optimismo paira no ar, na medida em que os “políticos guineenses reconhecem a dimensão real das consequências de uma eventual invasão de uma força estrangeira,” adverte Fernando Vaz.

Há uma expectativa de se encontrar um denominador comum antes da reunião de Senegal, marcada para a próxima quinta-feira, dia 3 de Maio. “O presidente gambiano insiste que a mesma decorra no seu país, mas os guineenses parecem terem perdido a paciência com Yahya Jammeh”, conclui o porta-voz do Fórum dos partidos políticos. Há fortes indicações de um possível boicote por parte de muitos representantes políticos e militares caso a próxima reunião tenha lugar em Gâmbia.

A desconfiança em relação a Yahya Jammeh é alimentada no facto do Presidente gambiano ter visitado recentemente a República de Angola, onde terá assinado vários acordos de cooperação.

Agora, “cada país da nossa sub-região quer tirar o proveito da situação guineense e dai que seja necessário uma chamada de atenção aos políticos guineenses para que resolvam as suas diferenças antes que seja tarde demais”, aconselhou um observador politico atento à crise politica guineense.

GBissau.com

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