PAIGC admite participar em governo de “base alargada” – Mundo – PUBLICO.PT

entre militares e partidos da Guiné

O PAIGC, partido do primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, que esteve detido por militares golpistas durante 15 dias, admite participar num governo de “base alargada”.

O principal partido guineense, que até agora se mantivera à margem de todas as discussões pós-golpe, e tem recusado soluções de transição, está representado em discussões que estão a decorrer este domingo na Gâmbia e “poderá aceitar participar num governo de base alargada”, disse o secretário nacional, Luís Olivares, citado pela AFP.

“Face à nova situação, o PAIGC poderá participar por razões puramente patrióticas”, afirmou Olivares antes de partir de Bissau para Banjul. Na capital da Gâmbia, mais de duas dezenas de guineenses estão a discutir saídas para o golpe de Estado de 12 de Abril, que afastou Carlos Gomes Júnior e o Presidente interino, Raimundo Pereira.

O dirigente do partido de Gomes Júnior lembrou, contudo, que o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) tem 67 dos 100 lugares da Assembleia Nacional. Luís Olivares tem excluído qualquer solução de transição e reclamado a recondução de Gomes Júnior e Raimundo Pereira.

A CEDEAO (Comunidade de Económica de Estados da África Ocidental), que na quinta-feira deu um ultimato em que exigiu a libertação dos detidos e aprovou o envio de uma força militar para Bissau, prevê um período de transição de um ano, que culmine com eleições.

Gomes Júnior e Raimundo Pereira, libertados na noite de sexta-feira e levados para a Costa do Marfim, foram no sábado ao fim do dia recebidos em Abidjan pelo chefe de Estado do país e presidente em exercício da CEDEAO, Alassane Ouattara. “Estamos contentes por terem saído daquela confusão. Estávamos preocupados”, comentou o líder marfinense. Os políticos guineenses não fizeram declarações.

Nas reuniões de Banjul estão representados o denominado Comando Militar que fez o golpe, partidos políticos, elementos da sociedade civil e responsáveis religiosos. Não foi divulgada agenda, mas em discussão estão os termos da devolução do poder aos civis e a composição de um governo até à realização de eleições, que deverão ocorrer no prazo de um ano.

A comitiva, de mais de duas dezenas de guineenses, partiu no sábado à tarde de Bissau para Banjul, a convite do presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh. No avião, enviado expressamente de Banjul para transportar o grupo, seguiram, entre outros, segundo a agência Lusa, Daba Na Walna, porta-voz do Comando Militar, oficiais da Marinha e da Força Aérea, o candidato presidencial Henrique Rosa, representantes de outros candidatos às eleições de Março – de que se realizou apenas a primeira volta, ganha por Gomes Júnior –, o bispo de Bissau e elementos da sociedade civil.

O objectivo, disse fonte diplomática citada pela AFP, é que “tudo esteja concluído domingo, antes do fim do prazo do ultimato de 72 horas”, fixado na quinta-feira à noite pela CEDEAO para a restauração da “ordem constitucional” em Bissau. Participantes contactados pela Lusa disseram, no entanto, que a reunião pode durar dias, mas manifestaram-se optimistas quanto a resultados.

A Gâmbia faz parte de um “grupo de contacto” sobre a Guiné-Bissau, criado na quinta-feira pela cimeira de presidentes dos países da CEDEAO, e de que também fazem parte a Nigéria, o Benim, Cabo Verde, a Guiné-Conacri, o Senegal e o Togo. Os chefes de Estado dos seis países do grupo devem reunir-se numa “mini-cimeira” no dia 3 de Maio, em Dacar.

A Bissau chegou no sábado uma missão da CEDEAO para preparar o envio para o país de mais de 600 soldados de países da organização que substituam uma força angolana ali colocada há cerca de um ano. O desagrado da hierarquia militar guineense para com a missão de Luanda levou ao anúncio da sua retirada ainda antes do golpe. O Comando Militar justificou a detenção do primeiro-ministro e do Presidente interino com um alegado pacto secreto que Gomes Júnior teria feito com Angola para aniquilar as Forças Armadas guineenses.

via PAIGC admite participar em governo de “base alargada” – Mundo – PUBLICO.PT.

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