CEDEAO intervém na Guiné Bissau – Mundo – Notícias – RTP

Graça Andrade Ramos, RTP 27 Abr, 2012, 13:07. A junta militar que assumiu o poder na Guiné-Bissau tem 72 horas para “voltar atrás”, sob pena de sanções, afirmou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, após uma Cimeira em Abdijan, Costa do Marfim. A organização vai enviar ainda uma força internacional, para repor a ordem institucional no país.

No seu comunicado final a CEDEAO autorizou o envio à Guiné-Bissau, nos próximos dias, de 638 soldados da Nigéria, o país mais forte e influente da região, da Costa do Marfim, do Senegal e do Burkina Faso.

O contingente militar será composto unicamente de soldados de países da CEDEAO, embora não tenha sido completamente afastada a hipótese de países da CPLP ou outros virem a integrar a força internacional de paz, segundo afirmou o representante da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na Cimeira.

Sanções da CDEAO

No comunicado publicado pela AFP, a CEDEAO explicita as sanções que serão impostas à junta e à Guiné-Bissau, caso os responsáveis pelo golpe de 12 de abril não desistam “nas próximas 72 horas.”

A organização «irá impor com efeito imediato sanções contra os membros do comando militar e os seus associados, além de sanções diplomáticas, económicas e financeiras à Guiné-Bissau, sem excluir processos no Tribunal Penal Internacional.»

A intervenção da CEDEAO pretende «facilitar a retirada da Missão de Assistência Técnica e Militar de Angola na Guiné-Bissau, dar assistência à estabilização do processo de transição» após o golpe de Estado de 12 de abril, segundo o comunicado final da cimeira.

Irá ainda preparar a reforma do setor da defesa e segurança, indica o texto e organizar e realizar eleições o mais rapidamente possível, num prazo de 12 meses.

Crise pode agravar-se

A junta ainda não reagiu às decisões da organização. Mas um diplomata ocidental afirmou à Agência Reuters, sob anonimato, que o envio de uma força militar pode “sair pela culatra” à CEDEAO, lembrando que a Guiné-Bissau ainda está a recuperar da guerra civil 1998-99 e de 11 anos de conflitos antes disso.

“Ela (a junta militar guineense) tem a vantagem de lutar em casa e décadas de experiência. Estes “meninos” sabem lutar,” avisou o diplomata. Na semana passada, um porta-voz da Junta Militar, Daha Bana na Walna, afirmou que qualquer força externa que entre no país será tratada como ocupante.

A intervenção de países vizinhos nos assuntos internos da Guiné-Bissau poderá ainda criar ressentimentos regionais, sobretudo contra a Nigéria.

Crise iniciou-se a 12 abril

Na semana passada, a junta militar afirmou que planeia formar um governo de transição incumbido de realizar eleições em 2014 mas a proposta foi rejeitada pelas Nações Unidas, CEDEAO e União Africana.

Os militares responsáveis pelo golpe de dia 12 de abril detiveram o ex-primeiro ministro Carlos Gomes Júnior, dias antes da segunda volta das eleições presidenciais na qual ele era favorito contra o rival Kumba Yala.

O golpe de estado foi apenas a mais recente reviravolta política no país que desde a independência de Portugal em 1974, raramente conheceu a estabilidade política e que na última década começou a tornar-se placa giratória do tráfico de droga.

A intervenção da junta contra Gomes Júnior, a quem acusa de querer destruir as forças armadas do país, é um passo atrás no combate contra os cartéis de droga liderado pelos países ocidentais e apoiado pelo candidato presidencial.

EU aprova decisão CEDEAO

Na Cimeira, a CEDEAO aprovou também sanções contra a junta militar que assumiu há um mês o poder no Mali, além de uma intervenção militar de maior peso neste país, de 3.000 a 5.000 soldados.

Os militares do Mali depuseram em março o Presidente Amadou Toumani Toure sob pretexto que o governo não apoiava a luta contra os separatistas Tuareg no norte. Estes aproveitaram a desestabilização militar e política para ganhar vantagem territorial e os combates têm provocado centenas de refugiados.

Em ambos os países, a intervenção da CEDEAO procura estabilizar a situação política e repor a legalidade institucional civil.

A União Europeia já aprovou de forma “genérica” as decisões da CEDEAO. “De forma geral apoiamos firmemente a resposta forte da CEDEAO à situação em ambos os países. É uma resposta partilhada pela comunidade internacional”, afirmou à Reuters Nick Wescott, diretor regional da União Europeia para os assuntos africanos.

via CEDEAO intervém na Guiné Bissau – Mundo – Notícias – RTP.

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