Opinião. Bissau: um golpe recheado de contradições

Bissau: um golpe recheado de contradições

Manuel Serifo Nhamadjo, primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, em funções de presidente interino da mesma Assembleia, reconheceu hoje na RDP África que não é (ou pelo menos ainda não é) Presidente da República de um regime de transição, ao contrário do que se chegara a anunciar.

Já ontem, num especial da RTP Informação, o porta-voz do Comando Militar negara reconhecer a Nhamadjo essa pretensa qualidade de Presidente da República, alegando que isso depende de uma reunião a haver com a CEDEAO, na próxima semana.

Os golpistas estão a perder terreno; e entram em contradições.

Ontem, o dito porta-voz, tenente-coronel Daba Na Walna, que aliás tem um mestrado em Direito, apertado por uma série de perguntas a partir dos estúdios da RTP, chegou a contestar que a Assembleia Nacional tivesse sido dissolvida.

Por outro lado, afirmou que uma força internacional de estabilização poderá ser aceite no país, desde que devidamente negociada com “os representantes do povo”, nos quais incluiu os “deputados”, de uma Assembleia que afinal não foi dissolvida, apesar das afirmações anteriores do que o teria sido.

Ao que parece, Manuel Serifo Nhamadjo, Henrique Pereira Rosa e outras personalidades, ou entidades, estão a demarcar-se do Comando Militar de contornos algo indefinidos com o qual inicialmente tinham alinhado, há nove dias.

O golpe começa a esvaziar-se, pouco a pouco; mesmo que os golpistas possam ter razão numa ou outra coisa do que dizem.

É verdade que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC, não é nenhum santo, tendo decerto muita coisa que se lhe possa apontar.

É verdade que Angola gostaria muito de ter influência na vida política e económica da Guiné-Bissau.

Só que, nem uma coisa nem outra justifica que um grupo de oficiais das Forças Armadas sequestre, durante mais de uma semana, o Presidente da República Interino e o primeiro-ministro que estava prestes a ser eleito chefe de Estado.

Só com muito tacto de todas as partes é que se poderá agora sair de todo este imbróglio, de toda esta trapalhada, de toda esta confusão.

Postado por heitor às 08:39

via o máximo: Bissau: um golpe recheado de contradições.

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