PAIGC exclui-se de acordo político-militar para a Guiné-Bissau | iOnline

Partido “rejeita” solução “anticonstitucional”. Serifo Nhamadjo será o novo presidente interino. Portas diz na ONU não reconhecer Conselho de Transição

O advogado do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, ainda detido, já dissera ao i que dificilmente o seu cliente aceitaria o acordo de transição ontem assinado entre partidos da oposição e o Comando Militar que domina a Guiné-Bissau desde o golpe de 12 de Abril. “Que eu saiba, ele não aceitará isso”, disse Carlos Pinto Pereira. Mais tarde veio o comunicado do PAIGC, partido do governo deposto, a sublinhar isso mesmo, “excluindo-se do processo de criação de estruturas de transição política” na Guiné-Bissau.

“O PAIGC, enquanto partido com legitimidade popular, no poder de forma coerente, reafirma perante os guineenses e a comunidade internacional que não pode, em nenhuma circunstância, participar ou associar- -se a procedimentos inconstitucionais e nem reconhece a entidade que anima as reuniões entre o Comando Militar e alguns micropartidos”, lê-se no comunicado da comissão permanente do bureau político do partido, transcrito no blogue do jornalista António Aly Silva (Ditadura do Consenso).

Mas há quem não partilhe as opiniões do partido, mesmo quando dele faz parte. Serifo Nhamadjo, vice-presidente do parlamento e candidato presidencial à revelia da direcção do PAIGC – ou seja, contra Gomes Júnior –, aceitou ontem ser o presidente interino da Guiné-Bissau, disse à Lusa fonte partidária. Sori Djaló, o outro vice-presidente da Assembleia Nacional antes do golpe militar, deverá assumir o cargo de primeiro-ministro.

No comunicado, o PAIGC chama a atenção “para as manipulações políticas” de quem pretende usurpar o poder “sem legitimidade democrática” e “rejeita toda e qualquer proposta ou solução extrademocrática e anticonstitucional, nomeadamente as que visam a constituição de um Conselho Nacional de Transição [CNT]”.

Augusto Olivais, secretário nacional do PAIGC, afirmou ontem, em conferência de imprensa em Bissau, que “toda essa engenharia que se está a fazer hoje não é em representação do povo guineense” e garantiu que o partido não solicitou um encontro com os líderes do golpe. “O PAIGC está aberto ao diálogo, mas nunca pediu qualquer encontro com os militares. Podemos até vir a conversar, mas desde que aceitem o retorno à democracia e à Constituição da República”, acrescentou.

Dabo Na Walna, director do gabinete do Chefe de Estado- -Maior General das Forças Armadas, António Indjai, garantiu ontem em entrevista à Lusa que, se os militares não tivessem levado a cabo o golpe do dia 12, “o que iria acontecer era chegar a Novembro e alguém entrar com um pedido no Supremo Tribunal de Justiça para o fim do mandato do parlamento. Já aconteceu no tempo de Nino [Vieira]. Por isso decidimos criar o CNT”.

Na Walna voltou a criticar Angola, que “sempre falhou” diplomaticamente em relação à Guiné-Bissau, estendendo essa crítica em relação à Comunidade de Países de Língua Portuguesa: “É pena que a CPLP tenha falhado como falhou.” Até ao fecho desta edição, o Conselho de Segurança da ONU continuava ontem a debater a questão guineense e a analisar o pedido da CPLP de envio de uma força de interposição para a Guiné.

No seu discurso nas Nações Unidas, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, manteve o tom duro para com os militares revoltosos na Guiné-Bissau, pedindo o envio de uma força de manutenção de paz e rejeitando aceitar os acordos assinados pelos militares com partidos da oposição: “Não há autoridades de transição, não há governo de transição, há autoridades legitimamente eleitas.” Para Portas, “a solução para esta crise passa incondicionalmente pela reposição da ordem constitucional” e “pela conclusão do processo eleitoral” das presidenciais, que foi unanimemente reconhecido como livre.

Por António Rodrigues, publicado em 20 Abr 2012 – 03:10 | Actualizado há 8 horas 23 minutos

via PAIGC exclui-se de acordo político-militar para a Guiné-Bissau | iOnline.

Anúncios

3 comments

  1. Os que falharam foram os Guineenses, perderam a fé e impunharam-se em armas atacando friamente as mentes dos seus compatriotas, nós somos o povo irmão, precisamos de parar com esta sarabulhada que ameaça a estabilidade politica internacional. Os acordos assinados num ambiente de tensão e de sequestro das consciências ou por interesses pessoais são uma autentica bomba para a paz na Guiné e a subsequente preservação da integridade territorial. È preciso que, tanto os militares como os politicos da Guiné respeitem a soberania popular e os principios civicos da democracia. Angola, tem legitimidade constitucional e mandato internacional para ajudar os irmãos da Guiné a viver em harmonia, assim, o farão sempre que forem solicitados ou por imperativos das suas responsabilidades no contexto da CPLP. Temos que ter fé que a felicidade voltará com o esforço de todos nós, mas primeiro devem ser os Guineenses a decidir que caminho querem seguir.

Deixe aqui o seu comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s